quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Hoje
Perdido por entre calhaus espreitou levemente sobre a brisa da madrugada fresca. Parou, olhou para o lado e tornou um plano individual uma estratégia imortal. Sentou-se cansado e olhou a manhã de prata que brilhava sobre si e sobre o incomum. Planava dentro de tudo e todos como se de um só ser o mundo se tratasse. Fechou os olhos por um momento tão mágico que o tempo quebrou sobre si a sensação do respirar. Desejou levar o sono interminável para todo o lado onde coubesse. Finalmente, abriu o coração como se fosse o vento. Com quatro lados moribundos e esquecidos. Chorou como nunca tinha chorado. Queria tanto sentir o mundo na ponta dos dedos como quem toca piano ao sabor da verdade. Contempla e abana levemente a cabeça como quem acena positivamente ao amigo que ama com o sorriso único da ambição de querer tocar na mesma nota o improviso da compreenção moral. - "Até amanhã!" Diz-lhe ele sem limpar a única lágrima. Penteou os cabelos compridos como a nuvem penteia a manhã. Despediu-se de si próprio antes do outro. Olhou em redor e voou para longe. Assim se findou o pensamento do hoje comigo numa orgia de pensamentos brutos e tactis. A noite desapareceu no piscar dos olhos do som que vinha da sola a arrastar um fisico humano pela estrada.
Renato Folgado
Que sonho sonho eu hoje?
Durmo.
Profunda e lentamente o sono...
de ontem!
E o de hoje?
Fica para amanhã?
Mas afinal,
que sono durmo?
Eu? Desen(sonado)?
Mas que sonho esquisito,
estando eu acordado?
Com a almofada, lado a lado,
de olhares embriagado,
fecho escuras e ténues sombras,
pelas pálpebras aconchegado.
De quimeras despido,
vai cego e desnudo o monge.
Madrugador batido,
de mantras e rezas encolhido,
sonha o sonho...
O sonho do dia d'hoje.
Renato Folgado
De Noite.
"Estou fodido. Queria uma coisa e aparece-me outra.
Não tenho vontade nem moral para olhar para trás."
Fumo cigarros de uma passa só. Fumo sem sentido.
Tento agora compreender a relação das coisas e pessoas.
Tudo parece tão nulo e cinzento. Faz falta cor e querer ser, querer saber.
Mas tudo é em vão. Luta-se para ter e não ter.
Copo de tinto na mão e cigarro apagado á séculos no cinzeiro de vidro,
dedilho a guitarra como se fosse parte de mim enquanto melodias langues
e fúnebres marcam compasso na coda de mais uma etapa vivida.
Enfim a vida será sempre assim. E o apelo ás palavras também.
Só porque a estupidez se apoderou das palvras. Já dizia o Erasmo que a loucura só existe para o louco.
Que infelizmente há poucos.
Loucura que desperta de dentro o monstro incontrolável creativo.
Daí os loucos de medo, os loucos de cansaço, os loucos de ódio.
Loucos de todos os tipos e feitios, com cortes e recortes.
Mas há um tipo de loucura que de entre todos é o mais corrosivo.
É nada mais nada menos que o louco de amor.
Esse é o tipo incurável de loucura que por vezes provo e saboreio a parte amarga,
nunca esquecendo o sabor que foi em tempos doce como leite-creme. "Ó João, é mais um copo!"
Entre as quatro paredes cobertas de quadros e xailes abrilhantados,
brindo várias vezes com a ébriedade num suspiro solitário.
Levanto-me, visto o casaco, puxo de mais um cigarro,
e saboreio o último e o mais saboroso trago daquela maravilhosa bebida avioletada.
Renato Folgado
Não tenho vontade nem moral para olhar para trás."
Fumo cigarros de uma passa só. Fumo sem sentido.
Tento agora compreender a relação das coisas e pessoas.
Tudo parece tão nulo e cinzento. Faz falta cor e querer ser, querer saber.
Mas tudo é em vão. Luta-se para ter e não ter.
Copo de tinto na mão e cigarro apagado á séculos no cinzeiro de vidro,
dedilho a guitarra como se fosse parte de mim enquanto melodias langues
e fúnebres marcam compasso na coda de mais uma etapa vivida.
Enfim a vida será sempre assim. E o apelo ás palavras também.
Só porque a estupidez se apoderou das palvras. Já dizia o Erasmo que a loucura só existe para o louco.
Que infelizmente há poucos.
Loucura que desperta de dentro o monstro incontrolável creativo.
Daí os loucos de medo, os loucos de cansaço, os loucos de ódio.
Loucos de todos os tipos e feitios, com cortes e recortes.
Mas há um tipo de loucura que de entre todos é o mais corrosivo.
É nada mais nada menos que o louco de amor.
Esse é o tipo incurável de loucura que por vezes provo e saboreio a parte amarga,
nunca esquecendo o sabor que foi em tempos doce como leite-creme. "Ó João, é mais um copo!"
Entre as quatro paredes cobertas de quadros e xailes abrilhantados,
brindo várias vezes com a ébriedade num suspiro solitário.
Levanto-me, visto o casaco, puxo de mais um cigarro,
e saboreio o último e o mais saboroso trago daquela maravilhosa bebida avioletada.
Renato Folgado
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