quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Hoje



Perdido por entre calhaus espreitou levemente sobre a brisa da madrugada fresca. Parou, olhou para o lado e tornou um plano individual uma estratégia imortal. Sentou-se cansado e olhou a manhã de prata que brilhava sobre si e sobre o incomum. Planava dentro de tudo e todos como se de um só ser o mundo se tratasse. Fechou os olhos por um momento tão mágico que o tempo quebrou sobre si a sensação do respirar. Desejou levar o sono interminável para todo o lado onde coubesse. Finalmente, abriu o coração como se fosse o vento. Com quatro lados moribundos e esquecidos. Chorou como nunca tinha chorado. Queria tanto sentir o mundo na ponta dos dedos como quem toca piano ao sabor da verdade. Contempla e abana levemente a cabeça como quem acena positivamente ao amigo que ama com o sorriso único da ambição de querer tocar na mesma nota o improviso da compreenção moral. - "Até amanhã!" Diz-lhe ele sem limpar a única lágrima. Penteou os cabelos compridos como a nuvem penteia a manhã. Despediu-se de si próprio antes do outro. Olhou em redor e voou para longe. Assim se findou o pensamento do hoje comigo numa orgia de pensamentos brutos e tactis. A noite desapareceu no piscar dos olhos do som que vinha da sola a arrastar um fisico humano pela estrada.

Renato Folgado

Sem comentários: